quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Um Dia Após Outro Dia


Até o momento em que sai de casa para trabalhar, tudo parecia comum, nada alterava o meu caminho rotineiro. Os cachorros me aguardavam na porta euforicos por alguma coisa que eu pudesse dar a eles. Os pássaros voavam frenénicos em busca de qualquer coisa. A grama alta molhada como sempre. A senhora fazendo exercício na praça em frente. Como eu disse. Nada de novo. Apenas uma coisa me chamou atenção. O perfume da minha esposa quando ela entrou no carro. Muito Bom!


Dei a partida, engatei a marcha ré, gritei com um dos cachorros para ele não sair e então eu sai após o portão escancarar-se. Esperei ele fechar e fui rumo ao conhecido. Direita, direita, lombada, esquerda, lombada, lombada, direita, esquerda, direita, esquerda e enfim o objetivo. Beijinho clássico de despedida e minha mulher desembarca para mais um dia de trabalho. Dou meia volta e retorno para casa. Direita, esquerda, direita, esquerda, lombada, lombada, direita, lombada, esquerda, esquerda, enfim chego. Estaciono o carro em frente do portão e lembro-me que preciso ir até a prefeitura de Joinville resolver o problema do IPTU mais um ano. Pois é, ano passado também acumulei algumas rugas por conta da impressonante incapacidade de gestão pública do nosso governo municipal.


Como que um governo municipal eleito pela maioria do povo de-mo-cra-ti-ca-men-te - como as próprias autoridades gostam de lembrar - trata este povo com tanto desdenho? Como posso eu querer pagar os meus impostos se quem deveria zelar por eles não sabe como arrecadá-lo? Como pode um peixe vivo viver longe de água fria? Quem matou Odete Roitman? Com quantos paus se faz uma canoa? Se o mar fosse rosa borboletas não voariam? Quem souber essas respostas sinta-se supremo. Porque é mais fácil aceitar a vida como ela é, a ter que decifrar tais enigmas. Sim! São enigmas travestidos de perguntas aparentemente simples.


Meu dia presseguiu. Enfim a hora do almoço. Dois frangos empanados com recheio de presunto e queijo, um pouco de arroz, verdura picada (não me entendam mau), um copo de guaraná e muita fome. "O ministério da gula adverte, parar de fumar causa barriga". Estou parecendo um saco sem fundo. Tenho comido até dormindo. Assisto o Globo Esporte e vejo cenas da novela Ronaldinho Gaúcho. Lembro-me da palavra dinheiro, mas logo passa, pois sei que ele quer apenas jogar bola. Mudo de canal e a Record se esbalda com seu conceito de que o fim do mundo está próximo. Assassinatos, violência, prisões e casos medonhos narrados em voz firme pelos apresentadores "formadores de opinião".


O dia está em seu fim. Então passo para buscar minha mulher e retorno para casa. Um banho, depois um café acompanhado de alguns pães com queijo e requeijão. Já sei que tenho comido demais. Ligo novamente a TV e assisto aterrorizado ao caos que se formou na serra carioca. Culpa de quem? Se souber a resposta dessa também, me avise. Contudo, reparo na total falta de estrutura para se atender os feridos num caso como este. Pessoas são atendidas deitadas em lençóis na grama no mínimo úmida. Helicópteros de emissoras são utilizados para salvamento e com um otimismo cego, chamam isso de solidariedade. Eu chamo de precariedade pública.


O Estado está falido fisicamente e moralmente. Não existe se quer um plano de salvamento emergêncial para catastrofes. O porque disso eu sei a resposta. Porque somos um país de incompetência gestora absurda. Porque nossos ex-presidentes a agora nossa atual presidente, transforma um monte de lama em máscara para tirar rugas. Manipula a população tapando o sol com a peneira, mais uma vez. Dando entrevista para divulgar o seu plano emergêncial. "Os moradores atingidos pelas chuvas poderão utilizar o seu FGTS para reconstruir o que perderam". Como diria meus amigos de São Paulo. "Tá me tirando tia!". Prometem liberar milhões para ajudar os moradores desolados. Prometem ajuda, prometem, prometem, apenas prometem.


O fim do dia afinal chegou. Vou me deitar e ler um pouco. Assisto o CSI, o Big Brother levanto para ir ao banheiro escovar os dentes e tirar a água do joelho. Volto para cama, mato alguns pernelongos chatos com a minha raquete assassina e ajeito o travesseiro. Dou um cheiro na galega que já está dormindo e relaxo para acompanhá-la. De repente me vem a cabeça uma frase que vi na traseira de um caminhão um dia desses e achei muito interesssante: "Otimistas são pessimistas mal informados". A partir deste momento não me lembro mais o que aconteceu, naquele lindo dia de janeiro de 2011. Apenas me recordo de acordar ouvindo meus cachoros latindo, pois como já dizia Martin Luther King, "Uma criança, cega de nascença, só sabe de sua cegueira se alguém lhe conta".


sábado, 1 de janeiro de 2011

É Dada a Largada...!


Quem disse pão e circo? Isso não tem nada a ver com pão e circo, tem a ver com desmoralizações. Como dar risada da nossa cara. É isso que nossas autoridades fazem. Riem de nossas caras todos os dias quando acordam. Nosso país é tão cretino, que quem dá pão e circo por aqui somos nós. Damos milhões de pães para esses safados comerem todos os dias e circo quando riem de nossas caras imbecis. O logo da Olimpíada 2016 é mais uma manifestação escrota de nossas autoridades. Salve a corrupção. Para quem acredita que este símbolo traga alguma lembrança boa eu digo. O otimismo quando se está dentro de uma arena cheia de leões serve apenas para lembrar que os leões estão com fome.
Nossa “presidenta” assumiu hoje seu posto de representante da nação brasileira. Nação tosca. Medíocre. Nação burra. Não é pessimismo não. Assim que é. Assim que mais um mandato vai começar. Sem qualquer fiscalização. Sem qualquer critério. Apenas com a aprovação de uma porcentagem cega por um punhado de dinheiro entregue de mão beijada todos os meses a quem não tem e nunca terá uma oportunidade de viver dignamente. Trabalhando e sustentando suas famílias honradamente com o dinheiro fruto de seus afazeres.
Adeus ano velho feliz ano novo. Bom seria se fosse assim. Deveríamos mudar a letra para: Adeus ano velho feliz ano tudo de novo. Tudo igual, nada vai mudar nas três esferas nacionais. O judiciário continuará esmagado pelo executivo que por sua vez permanecerá guiando o legislativo. Pois nunca na história deste país o povo foi tão ludibriado. Nunca um governo foi tão mascarado e oportunista. Não me venha com blá blá blás. Oito anos se passaram e nada aconteceu de grande importância neste Brasil.
A saúde continua horrível. Ah sim, agora você tem plano de saúde. A educação é uma colcha de retalhos. Ah sim, agora você estuda em faculdade particular. A segurança é uma piada. Ah sim, ocuparam o complexo do Alemão. Não tenho a solução dos nossos problemas, mas tenho plena convicção que eles existem e estão todos os dias a nossa frente. Hoje você foi até a padaria e comprou pão? Pois então, o preço do pão aumentou. Você paulista vai pegar táxi? Pois então, o preço do táxi também aumentou. Você joinvilense vai pegar ônibus? Pois então, o preço do ônibus mais uma vez aumentou. Você brasileiro vai querer parcelar algo que queira comprar. Pois então, os juros continuam altos. Tudo bem, hoje ainda é o primeiro dia do ano. Vamos relaxar e gozar. Estou de folga e não quero me incomodar. Se der, na segunda-feira penso nisso. Mas sobre o que eu estava falando?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ 2011


O ano de 2010 está em seu fim e pouco coloquei em prática meus pensamentos. Melhor dizendo, poucas vezes os materializei. Muitos deles se perderam para sempre, outros consegui escrever numa caderneta que carrego em alguns momentos. Em algumas ocasiões até mesmo escrevi memórias em notas fiscais perdidas no bolso da calça. Fazer o que se a disciplina nunca foi o meu forte.
Falando nisso, em 2011 esta é a minha meta, D-I-S-C-I-P-L-I-N-A. Sem ela muita coisa falta e muita coisa sobra, mas não vou entrar em detalhes. O que quero mesmo é agradecer a todos que compartilharam pensamentos e ideias comigo neste ano tão abstrato. Digo isto por ter sido um ano rasante. Passou como uma manobra aérea. Rápido como um jato da Força Aérea Brasileira.
Apesar de veloz o ano que se acaba certamente nos deixa muitas lembranças boas. Outras nem tanto. Não conquistar o hexa foi difícil, o Haiti nem se fala. Na contramão César Cielo continua a nos dar alegrias. Mostrando ao mundo toda sua dedicação e amor a sua profissão. Já as mulheres continuam a lutarem por direitos iguais com os homens, quando na verdade querem mesmo é derrubar seus príncipes de seus cavalos brancos. Isso mesmo. Mulheres não querem direitos iguais, querem a superioridade.
Assim nossos jovens tratam nossos idosos. Com superioridade tecnológica. Só um aviso. Idosos não nascem idosos. Pois é esta a imagem que vejo de grande parte da nossa juventude. Individualistas e omissos. Reflexo de quê? De porra nenhuma. Apenas uma nova geração de pessoas que nasceram numa mesma década. Ou décadas. Tanto faz. O que não faz é a indiferença dos jovens para com aqueles que os proporcionam todas essas alegorias tecnológicas.
Mas é isso ai amigos e amigas. O orçamento para o próximo ano está sendo votado no circo de Brasília. Ainda com palhaços antigos. Os novos estarão por lá em breve. “Não perdam”. Alguns ajustes neste concorrido orçamento já foram efetuados. Reduziram um tanto da grana dos setores da educação e ciências e tecnologia. Maravilha. Viva 2011. Grande abraço a todos! Um Feliz Natal e que todos os sonhos bons se realizem em 2011.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Saco está Cheio


O saco está cheio de gente se debatendo pra sair. Não importa em quem vão pisar. Se na mãe, no pai ou no tiozinho da barraquinha de cachorro quente. Não importa mesmo. Só importa o agora, o hoje. O amanhã eu me preocupo amanhã. O que importa é hoje, somente hoje. Foda-se o passado, já passou. Quero pagar minhas contas desse mês e foda-se de novo. Dia 31? Que se foda também.


O pior é que a boca do saco está lacrada com fita adesiva de alta resistência e para piorar o saco está amarrado a uma altura superior a sua arrogância. Alto né? Pois então, que tal abaixar a crista e pensar um pouco no tiozinho da barraquinha de cachorro quente. Não precisa levar ele pra casa, muito menos dar um beijo na boca dele. Apenas lembre-se dele como uma pessoa que por vezes lhe serviu o seu tão desejado cachorro quente com duas salsichas, milho, ervilha, vinagrete, purê de batata, batata palha e um suco de brinde.

É fácil, você consegue. Sabe aquela menina que te ligou enquanto você estava ocupado fazendo porra nenhuma, para te oferecer um super plano de descontos e vantagens na sua linha telefônica. Ela também poderia ser lembrada com contentamento. Está bem, foda-se ela o tiozinho da barraquinha de cachorro quente e o resto do mundo. Quero apenas ser eu. Quero ser alguém. Quero ser reconhecido como “o cara”. O cara que te usou para se promover.

Vamos lá, me odeie. Difame-me. Fale que sou um filho da puta, corrupto, safado, insolente. Mas lembre-se, estou acima do bem o do mal. Eu sou “o cara”. Lembra? Engraçado, disso você lembra. Que bom. Porque eu sou foda e agora vou colocar no meu lugar a mulher foda. Isso mesmo, eu sou “o cara” e ela é a... Deixe-me pensar. Calma que faz tempo que não faço isso. Na verdade poucas vezes fiz. Mas voltando, ela será a “a face”. Ficou legal.

Serei sempre lembrado como “o cara”. O cara que ergueu a indústria petrolífera, o cara que pagou a divida externa (me desculpe por essa piada, sei que foi de mau gosto. Ass: Rafael Costa), o cara que levou comida para a mesa dos miseráveis, o cara que transformou o assalariado em classe média (me desculpe novamente, essa foi mais infame ainda), o cara que não sabia de nada, o cara de santo.

OBS: Não vou conseguir terminar essa crônica. Acabei de lembrar uma coisa muito importante. Não vai adiantar nada. “A face” irá se eleger e “o cara” será eternamente lembrado pelo seu carisma. Então, foda-se. Continue a fazer o que quiser de sua vida, sem se importar com a saúde esquecida, a segurança bizarra e a educação esculachada. Seja feliz, afinal agora você é da classe média. Então pode pagar um convênio médico, segurança e escola particular. Parabéns, você conseguiu.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Carta ao Povo Brasileiro da Silva


Está crônica era para ter sido publicada antes das eleições de 3 de outubro. Como não foi possível, leia assim mesmo.




Querido Povo Brasileiro da Silva, por muitos anos temos passado bons e maus momentos juntos. Nossa relação tem se desgastado com o tempo por conta de muita discussão envolvendo terceiros, que por algum motivo entram em nossas vidas e abalam nossa tão sincera afinidade. Sempre estive ao seu lado quando precisou de mim. Até mesmo quando em 1992 você adoeceu diante de um canalha com intenções errôneas para com o seu futuro.


Apesar de minha pouca idade na época, pude compreender este processo ao ver que minha família estava sofrendo com está enfermidade (sito Fernando Coller de Mello). Diante de tudo isso é que percebo o quanto você não mudou e continua a cometer as mesmas falhas, pois vejo que está moléstia apesar de dissipada por alguns anos, voltou a nos assolar e hoje concorre a um grande cargo que pode – e muito – prejudicar nosso tão apaixonado relacionamento.

No próximo domingo teremos de escolher a nossa posteridade e não entendo porque pensas em colocar uma pessoa de tão má temperamento para nos guiar (sito Dilma Rousseff). Talvez seja o medo de errar novamente ou a falsa ideia de que tudo está bem. Mas não está meu querido Povo Brasileiro. Não que esteja ruim, mas acredite. Estávamos nas mãos de um charlatão. Ou melhor, dizendo. Um homem que não se importou, não se importa e não se importará com a nossa prosperidade, mas somente com a sua promoção pessoal.


Quero muito continuar ao seu lado. Ter filhos e quem sabe netos. Olhar nos seus olhos e sentir o orgulho de ter lutado pelo nosso relacionamento de forma inteligente e integra. Poder sentar na mesa do café e sentir orgulho de você por não se deixar levar por falsas conversas. Lembra-se em 2005 quando você se arrependeu de ter dado ouvidos aquele canalha? Por ele e sua quadrilha terem arrebentado com o seu voto de confiança? Se não me engano, naquela época você não podia ouvir o nome Mensalão (sito todo o poder executivo).


A minha surpresa hoje é ver que você se esqueceu daquele episódio e atualmente acha essa pessoa o máximo (sito Luiz Inácio Lula da Silva). Isto realmente desgasta qualquer relacionamento. Povo Brasileiro, não me faça perder ainda mais a crença no futuro da nossa relação. Ainda ontem pensei em pedir você em casamento, mas vejo que posso cometer um grande engano se isso fizer. Tenho medo dos convidados que possa chamar para apadrinhar nosso casório. Tenho medo de ver você arrependido e logo depois enganado novamente.
Pense no quanto podemos ser felizes se no domingo você fizer a escolha certa (sito alguém competente, não me pergunte quem). Pense no nosso futuro. No futuro de nossos possíveis filhos e netos. Não gostaria que eles se lembrassem de nós com negativismo. A página está aberta e a caneta está na sua mão para escrever uma história decente e sem rancor, mas com muita luta e interesse nos afazeres profissionais daqueles que podem nos distanciar novamente caso continuem onde estão.


Povo Brasileiro. Serei eternamente deslumbrado por você. Contudo, tenho de ser sincero e dizer: “Larga a mão de ser burro, porra! Estou de saco cheio das suas idiotices”. Mas mantenha a calma, somos todos filhos da mesma mãe. A Pátria Amada Brasil.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

DESIGUALDADE MENTAL


Algumas várias sucessões de fatos estão ocorrendo neste momento em nossa pátria amada gentil. Num minuto despreguiçamos o “nada a fazer” e no outro estamos a caminho da companhia divina. Calma, explico: viver e morrer. Entendeu? Somos filhos de um berço tão grande que esquecemos sua grandeza e nos enjaulamos em nossas pequenas facetas casuais. Como em um roteiro cinematográfico nossos três Ps se completam nos horários e ocasiões devidas.
Os três Ps são: Particular, Pessoal e Profissional. Particular é a sua vida em seus momentos mais íntimos. Não seja leviano. Pessoal é a sua vida familiar, amigos. O social. Profissional é a sua parte mais mentirosa. Sim, mentirosa. Quantos personagens você já encenou em seus momentos particulares e pessoais. Tenho certeza que poucos. No pessoal talvez alguns mais. Mas no profissional somos todos atores.
Aquele vendedor que lhe recebe com um belo sorriso ao vê-lo entrar na loja é merecedor do Oscar na categoria melhor comédia. Com todo respeito. Não que isso seja bom ou ruim, é apenas mais um dos inúmeros fatos citados acima. O dentista pode concorrer na categoria melhor suspense. Os advogados concorrem a roteiro adaptado. Os jornalistas a melhor longa-metragem. Os políticos a melhor animação. Os psicólogos a melhor roteiro original. Os programadores concorrem na categoria curta-metragem e os cabeleireiros concorrem na categoria direção de arte. Quanta besteira!
Enquanto isso outros fatos mais acontecem no país da esculhambação. Um só é satisfatoriamente coeso para passar uma madrugada inteira bebendo cerveja com algum amigo inteligente. Pode ser a ocorrência de estarmos inertes frente às pesquisas sobre a “corrida” eleitoral. Estou rodeado de pessoas que me dizem a todo o momento odiarem a Dilma, e ao mesmo tempo, assisto estarrecido a decolada da namorada do Chuckie – O Brinquedo Assasino subir cada semana cinco pontos percentuais nas pesquisas Ibope e Datafolha. O Serra desce ladeira abaixo como um trator desenfreado. Se a coisa continuar assim, a Dilma Figa – essa foi boa (risos) – terá cento e vinte por cento dos votos em outubro.
Preste bastante atenção aos fatos que acontecem em nossas margens plácidas. Filtre com qualidade as palavras lançadas ao vento nos horários políticos obrigatórios, jornais impressos, revistas, rádio e televisão. Pense qual o seu papel em todo o processo de mudança de governo e qual personagem você representará diante da urna eletrônica. Alguns preferem ser o Debby ou o Loyd, outros Vito Corleone (O Poderoso Chefão), alguns mais ousados preferem ser Darth Vader (Star Wars). Quem sabe James Bond ou até mesmo William Wallace (Coração Valente). Tenho mais algumas sugestões. Quando apertar o confirma pense que você é o Indiana Jones ou o Hannibal.
Contudo, diante de tantos acontecimentos inusitados dos quais citei apenas um. O pensamento alheio. Posso admitir meu interesse em ver nosso grandioso Florão da América se transformar no comunismo ideológico dos vermelhos e ex-vermelhos, no capitalista dos DEMos e no socialismo dos ingênuos. Não sonho com um país justo de boa educação e saúde competente. Eu acredito. E faço de mim a representatividade do que quero ver a minha nação se tornar. Neste momento estou em busca de disciplina. Dia 3 de outubro mais um filme será lançado e o titulo pode ser “Em Águas de Camarão, quem tem um Lula é Rei” ou “2011, O Começo do Fim”. Quanta besteira!
Não é porque você comprou seu primeiro carro, primeiro apartamento, primeiro casaco de couro, primeira porta de vidro do box do chuveiro, primeira TV de LCD, que está tudo bem. Que agora o Brasil está crescendo, blá, blá, blá. Minha sinceridade a partir de agora poderá te assombrar, mas preste atenção. Enquanto milhões de brasileiros e brasileiras compram suas necessidades menos importantes a troco de status e promoção familiar, a impunidade, a falta de investimento em pesquisa, tecnologia e manufatura, a justiça lenta e falha, a corrupção e a infra-estrutura precária continuam a crescer por debaixo de discursos alucinados de um operário charlatão. Isto não é besteira! Isto é Brasil, o país da desigualdade mental.
Não se arrependa do seu voto. Faça dele uma arma contra a sua própria cegueira política. Abra os olhos e ajude quem está a seu redor a também enxergar a boca de lobo que é a nossa Capital Federal. O nosso hino já dizia em letras grandes: “Paz no futuro e glória no passado. Mas, se ergues da justiça à clava forte. Verás que um filho teu não foge à luta. Nem teme, quem te adora, a prórpia morte”. Quanta, besteira!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Conselho de Amigo


Mais uma data comemorativa passou por nossas vidas. O Dia do Trabalhador atraiu multidões para shows de duplas sertanejas e grandes cantores como Milton Nascimento. Apoiados por uma minoria sindicalista, o grande povo trabalhador aplaudiu a incógnita da política brasileira. Acredito que o motivo de tantas palmas tenha sua origem no grande dizer: “Brasil, um país de todos”. Avisa o presidente que a memória é curta. Qual memória? Acho que a minha, talvez a dele. Quem é José Dirceu?


Sei que logo começa a Copa do Mundo. Todos querem ver o Kaká e o Robinho. Eu levaria o Paulo Henrique Ganso com certeza. Joga muito o moleque. Crack. Mas só pra não esquecer o raciocínio, em outubro deste ano vai ter eleição. Lula lembrou disso aos presentes na festança da Força Sindical e consagrou quem ele quer para “sentar” na sua cadeira. Claro que foi só uma informação, nada de mais. Dilma estava ali por acaso.


Dia 3 de outubro acontecerá a votação do primeiro turno. Deputados Federais e Estaduais, Senadores, Governadores e Presidente da República. Caso precise haverá segundo turno do dia 31 do mesmo mês. Não se esqueça de tirar o seu título de eleitor, seja um cidadão. Vote e aproveitando que o Aurélio Buarque de Holanda Ferreira completaria 100 anos hoje, vou recordar qual o significado da palavra cidadão: Na Antiguidade, o que gozava o direito de cidade: cidadão romano. / Membro de um Estado, considerado do ponto de vista de seus deveres para com a pátria e de seus direitos políticos. (Dicionário Aurélio On-line) Lembrei-me também da palavra político: Relativo ao governo de um Estado. // Direitos políticos, direitos em virtude dos quais um cidadão participa do governo. / Fig. Astuto, esperto, hábil: encontrou uma solução política. / &151; S.m. Aquele que se dedica à política. (Dicionário Aurélio On-line)


Ultimamente tenho me esquecido de tanta coisa que sonhei estar subindo a rampa do Planalto com a galega do meu lado (a galega é a primeira-dama). Acordei desse pesadelo sem me recordar se era de dia ou de noite, pois como já dizia Luis Inácio Lula da Silva, “O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil”. Brincadeiras a parte, quero esclarecer que de nada adianta reclamar do gosto ruim do peixe se quem preparou a comida não sabe ao menos fritar um ovo. Então antes de dar o peixe que você pescou nas mãos de uma pessoa inexperiente na cozinha, analise se ela sabe a diferença entre sal e açúcar.


Como já frisei teremos eleições este ano e peço toda cautela. Pesquise, informe-se, comunique-se, pergunte, responda, xingue, elogie, pinte a cara, apite, proteste. Só não reeleja aqueles dos quais nos envergonhamos e muito menos eleja aqueles dos quais vamos nos envergonhar. Seja responsável mesmo que os documentos do seu carro não estejam em dia ou a mensalidade da escola do seu filho esteja atrasada. Quando apertar o botão verde de confirma tenha certeza que aquele gesto, mesmo obrigatório, pode e deverá fazer parte de sua vida pelos quatro anos seguintes. Pense que não é porque você conseguiu comprar a TV de LCD de última geração para assistir a Copa e trocar de carro no fim do ano que está tudo nos trilhos. Conscientize-se. Faça do Brasil verdadeiramente um país de todos. Para todos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Brasília 50 anos


Vou usar o exemplo de Gay Talese e falar de Brasília sem nunca ter pisado naquelas terras. Acho que Frank Sinatra não reclamaria. Por isso sou forçado a criar imagens e reviver referencias de todo aquele concreto do Niemeyer. Em 1823, José Bonifácio já havia falado na construção da Capital Federal. Alguns anos depois o santo italiano fundador da ordem dos salesianos da Igreja Católica, Dom Bosco imaginou uma depressão larga e comprida entre os paralelos 15 e 20 graus a partir das margens de um lago. Não fique surpreso, também não entendi.



Retornando, atravesso as enormes avenidas protegidas por volumosas muralhas ministeriais e as ondas religiosas da curiosa e majestosa Catedral. Sigo em frente e logo avisto o Palácio da Alvorada, é a casa do presidente... (desculpe, não me lembro o nome dele). O Itamaraty aparece bem postado. Como um soldado entrincheirado fincado em frente ao Congresso Nacional, que de tão imponente chega a causar náuseas. Deve ser a fumaça da falta de caráter saindo da panela. Não posso me esquecer dos verdes gramados estendidos no caminho. Lembra-me Oscar Wilde dizendo que “Deus, ao criar o homem, superestimou a Sua capacidade”.



O STJ parece mais tímido diante de tantas beldades. A Praça dos Três Poderes relembra Lúcio Costa e exibe com orgulho o Plano Piloto. Ainda por ali o Pendão da Liberdade faz seu papel patriótico. Será que o Museu Nacional tem muita coisa a dizer? Prefiro aguardar o futuro, ou quem sabe, cantar um pouco de Legião Urbana. Estou vendo a ponte Jucelino Kubistchek cortar o lago Paranoá. Sempre lubrificando os olhares de seus moradores.



Paro e observo o enorme firmamento cobrindo a sempre impecável explanada. Muitos diriam que este avião jamais voaria em céus tão distantes. Poucos embarcaram nesta jornada que completa 50 anos. Brasília hoje é cercada por seu entorno de pessoas brasileiras. Cidadãos do norte, nordeste, sul e sudeste. Mas gerações já se formam entre a política e o rock, entre o concreto e o abstrato, sobre a ambição e a descrença. O dia vai caindo e as luzes das janelas e monumentos se acendem. Mais uma sessão é encerrada na cidade cleptocrata.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Santa Ingenuidade, rogai por nós...!


Hoje é dia 02 de abril de 2010. Sexta-feira Santa. Dia de peregrinações e tantas outras demonstrações de fé para com a história de dor e sofrimento descrita na bíblia, sobre um homem chamado Jesus Cristo (ou como preferir), que foi julgado, condenado, martirizado, morto e sepultado. Já no primeiro domingo após esta data ficou determinado à comemoração da Páscoa. Pois bem! Nada de carne vermelha. A picanha fica ‘proibida’. Somente bacalhau.

Diante destes fatos religiosos em que convivo anualmente, desde minha infância percebo que de nada vale cada gesto oferecido aos pés das inúmeras estátuas de Cristo, pelo nosso imenso Brasil de maioria católica. E neste momento generalizo, colocando neste balaio até mesmo pessoas do meu convívio, pois para os moldes conscientes dos brasileiros do século XXI, Jesus Cristo seria um ser ingênuo. Talvez o tenham tratado desta maneira a dois mil e dez anos atrás. Mas como poderia um homem aceitar sua penitencia e percorrer um longo caminho, carregando o peso de uma enorme cruz em suas costas aos gritos de soldados insolentes municiados por seus chicotes, sem o menor pudor em usá-lo no corpo daquele pobre homem. Tenho certeza que a maioria gritaria em seus ouvidos: “Justiça, justiça...!”

Não faço tal discurso como descrente ou qualquer outro sinônimo, e sim, como exímio observador que sou. Jesus Cristo seria sim descrito em jornais, revistas, conversas de bar e salões de beleza como ingênuo. Como poderia Ele perceber que não é culpado pelos seus atos mentirosos? Como poderia Ele deixar crucificá-lo? O júri popular seria sua melhor condenação. Caso o soltassem no meio do povo, certamente seria linchado até a morte. Se Ele ressuscitasse após três dias, talvez até o perdoassem.


Nietzsche escreveu certa vez: “Há uma exuberância na bondade que parece ser maldade”. Talvez isso defina porque não sabemos quem somos e porque continuamos aos olhos dos outros, ingênuos perante o mau-caratismo alheio. Falha moral ou apenas reflexo histórico? Acho que Jean Jaques Rousseau já tinha a resposta: “O povo, por ele próprio, quer sempre o bem, mas, por ele próprio, nem sempre o conhece”.


Apesar de tudo e todos, continuarei a minha peregrinação à realização e reconhecimento ingênuo diante dos desinteressados pelo bem estar coletivo. Sempre tentando não cometer falácias e quem sabe tomando algumas multas de trânsito. Porque observei uma coisa convivendo comigo mesmo. Quando pensar que estou certo, terei certeza do meu erro. Sempre convivendo com seres inteligentemente humanos. Uns juntando inimigos outros juntando dinheiro. Guerreiro de fé. Desculpe! Esqueci de me apresentar. Muito prazer Mammon!

segunda-feira, 5 de abril de 2010


Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?


Rubem Alves


O nome não me era estranho. Eu já o vira de relance em algum jornal ou revista. Mas não me interessei. Aquele nome, para mim, não passava de um bolso vazio. Eu não tinha a menor idéia do que havia dentro dele. Sou seletivo em minhas leituras. Leio gastronomicamente. Diante de jornais e revistas eu me comporto da mesma forma como me comporto diante de uma mesa de bufê: provo, rejeito muito, escolho poucas coisas. Concordo com Zaratustra: “Mastigar e digerir tudo - essa é uma maneira suína.


“Aquele bolso devia estar cheio de coisas dignas de serem comidas – caso contrário não teria sido oferecido como banquete nas páginas amarelas da VEJA. Mas eu não comi. Aí um amigo me enviou via e-mail cópia de uma crônica do Arnaldo Jabor, a propósito do dito nome – crônica que eu li e gostei: sou amante de pimentas e jilós.


Senti-me parecido com o Mr. Gardner, do filme “Muito além do jardim“, com Peter Sellers. Mr. Gardner jamais lia jornais e revistas. Aproximei-me então da minha assessora e lhe perguntei, envergonhado, temeroso de que ela tivesse visto o dito filme, e me identificasse com o Mr. Gardner. “Natália, quem é Adriane Galisteu?“ Esse era o nome do bolso vazio. Ela deu uma risadinha e me explicou. À medida em que ela explicava, as coisas que eu havia lido começaram a fazer sentido, e eu me lembrei de uma estória que minha mãe me contava: uma princesinha linda que, quando falava, de sua boca saltavam rãs, sapos, minhocas, cobras e lagartos... Terminada a explicação, fiquei feliz por não ter lido. Lembrei-me de uma advertência de Schopenhauer: “No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos... Muitos eruditos leram até ficar estúpidos.“ Existirá possibilidade de que a leitura dos jornais nos torne estúpidos?


O que está em jogo não é a dita senhora, que pode pensar o que lhe for possível pensar. O que está em jogo é o papel da imprensa. Qual a filosofia que a move ao selecionar comida como essa para ser servida ao povo?


A resposta é a tradicional: “A missão da imprensa é informar“. Pensa-se que, ao informar, a imprensa educa. Falso. Há milhares de coisas acontecendo e seria impossível informar tudo. É preciso escolher. As escolhas que a imprensa faz revelam o que ela pensa do gosto gastronômico dos seus leitores.


Jornais são refeições, bufês de notícias selecionadas segundo um gosto preciso. Se o filósofo alemão Ludwig Feuerbach estava certo ao afirmar que “somos o que comemos“, será forçoso concluir que, ao servir refeições de notícias ao povo os jornais estão realizando uma magia perversa sobre os seus leitores: depois de comer eles serão iguais àquilo que leram.


Faz tempo que parei de ler jornais. Leio, sim, movido pelo espírito da leitura dinâmica, apressadamente, deslizando meus olhos pelas manchetes para saber não o que está acontecendo, mas para ficar a par do menu de conversas estabelecido pelos jornais. Muita coisa importante e deliciosa acontece sem virar notícia, por não combinar com o gosto gastronômico dos leitores. Se não fizer isto ficarei excluído das rodas de conversa, por falta de informações. Parei de ler os jornais, não por não gostar de ler mas precisamente porque gosto de ler. As notícias dos jornais são incompatíveis com meus hábitos gastronômicos: leio bovinamente, vagarosamente, como quem pasta... ruminando. O prazer da leitura, para mim, está não naquilo que leio mas naquilo que faço com aquilo que leio. Ler, só ler, é parar de pensar. É pensar os pensamentos de outros. E quem fica o tempo todo pensando o pensamento de outros acaba por desaprender a arte de pensar seus próprios pensamentos: outra lição de Schopenhauer. Pensar não é ter as informações. Pensar é o que se faz com as informações. É dançar com o pensamento, apoiando os pés no texto lido: é isso que me dá prazer. Suspeito que a leitura meticulosa e detalhada das informações tenha, freqüentemente, a função de tornar desnecessário o pensamento. Pensar os próprios pensamentos pode ser dolorido. Quem não sabe dançar corre sempre o perigo de escorregar e cair... Assim, ao se entupir de notícias – como o comilão grosseiro que se entope de comida – o leitor se livra do trabalho de pensar.


Confesso que não sei o que fazer com a maioria das notícias dos jornais: entendo as palavras mas não entendo a notícia. Penso: se eu não entendo a notícia que leio, o que acontecerá com o “povão“? Outras notícias só fazem explicitar o que já se sabe. Detalhes, cada vez mais minuciosos, das tramóias políticas e econômicas de um Maluf, de um Jader, nada acrescentam ao já sabido. Esse gosto pela minúcia escabrosa se deriva da pornografia, que encontra seus prazeres na contemplação dos detalhes sórdidos, que são sempre os mesmos, como o comprovam as salas de “imagens eróticas“ da Internet. A dita reportagem sobre a tal senhora e as notícias sobre Jader e Maluf atendem às mesmas preferências gastronômicas. Será que as notícias são selecionadas para dar prazer aos gostos suinos da alma? Por outro lado, há os suplementos culturais que, para serem entendidos, é preciso ter doutoramento. Para o povão, o futebol...


Ao final de sua crônica o Arnaldo Jabor dá um grito: “Os órgãos de imprensa devem ter um papel transformador na sociedade...“ Dizendo do meu jeito: os órgãos de imprensa têm de contribuir para a educação do povo. Mas educar não é informar. Educar é ensinar a pensar. Os jornais ensinam a pensar? Repito a pergunta: Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?


(Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 02/09/2001.)