quarta-feira, 4 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D3)


Fred de branco, Safira ao lado e Jade folgada apoiada na gorda!

Como disse ontem, menos um dia de tratamento se foi. Hoje, no terceiro dia de aplicação quimioterápica passei muito bem obrigado. Tenho me alimentado de forma interessante nesses dias. Muitas frutas, muita água e principalmente muita calma para não deixar a peteca cair. Isso mesmo, pois apesar de aparente boa forma física a mente às vezes dá alguns erros de leitura. Sabe como é! Temos que recarregar as baterias também.

Ontem eu estava tão bem em comparação ao primeiro dia que fui recarregar minhas energias em Balneário Piçarras e matar a saudade da cachorrada. Leia-se: Safira “o mundo pode acabar”, Jade “ranzinza” e Frederico “o fura-cão”. Esses são os três donos da casa. Minhas alegrias e desesperos a cada arruaça que eles aprontam no quintal. Mas fazer o que? 

Conheci mais alguns causos na oncologia hoje. Uma menina de 28 anos com um tumor retirado de trás da tireóide. Uma senhora com leucemia. Um senhor com um tumor no esôfago e que já havia passado por 35 sessões de radioterapia e estava no leito ao meu lado aplicando quimioterapia falando como um garoto das suas histórias de vida. Um grande exemplo. Também conheci um senhor com o mesmo problema que eu, mas o dele era no testículo direito e já havia feito suas sessões de quimio. Estava por lá hoje apenas para entregar exames.

O cabelo continua firme e forte, claro que um pouco mais fino, mas ainda não caiu. Sinto mais sono do que antes do tratamento e tenho dormido feito uma pedra. A disposição também não é a mesma, mas a perseverança em continuar na ativa durante este tratamento é maior que tudo. Tenho procurado seguir minha vida como sempre foi, claro que com um pouco mais de cautela. A única coisa que tem me incomodado são as crises de soluço. Ainda não descobri porque, mas acredito que seja de tomar muita água. Logo passa.

Obrigado mais uma vez pela atenção de todos!  

terça-feira, 3 de julho de 2012

Crônicas de Tumor (D2)


SOPA DA RAINHA
    
 Menos uma sessão de quimioterapia se foi. Hoje estou bem, mais disposto e não vomitei como ontem. Consegui trabalhar a tarde e me ocupar com a mente, deixando um pouco o restante do corpo de lado e focando no exercício intelectual. Contudo, sempre se lembrando da alimentação e tomando bastante água. Essencial para minha recuperação, pois um dos medicamentos pode me causar insuficiência renal. A garrafinha de água tem se tornado minha companheira.

     Hoje recebi as mesmas doses de ontem com um medicamento a mais que durou cerca de meia hora. Durante toda a manhã observei pacientes e acompanhantes entrando e saindo de seus tratamentos. Uns já carecas e pálidos outros fortes e corados como se nada estivesse acontecendo, outros com os olhos esbugalhados ao ver tantas pessoas e mangueiras conectadas a elas, outras sozinhas sem nenhum acompanhante. O que para mim e minha esposa é um descaso da família, pois percebemos que sim, eles têm familiares, ainda mais por se tratarem de pessoas idosas. 

     No caso de hoje uma senhora que começou sua quimioterapia foi perguntada pela enfermeira quem a estava acompanhando e ela respondeu que um vizinho a tinha levado ao hospital. Indignada a enfermeira exclamou: “Vizinho, cada a sua família”. A senhora apenas silenciou.  Uma pena para a importância de tal tratamento, pois quem ajudou esta senhora a ir ao banheiro foi a minha esposa.

     Contudo, a vida continua, amanhã mais um dia pela frente e mais idas e vindas ao banheiro. Culpa de muito soro e água. Assim vou em contagem regressiva para o fim do tratamento. Faltam só treze. O cabelo continua firme e forte e acima de tudo a vontade de seguir de cabeça erguida. Guerreiro de fé. 

     Quero destacar o trabalho do pessoal do setor de oncologia do Hospital São José. Fiquei empolgado com o atendimento. Ao chegar hoje minha cama já estava marcada com meu nome e a medicação não precisei esperar mais do que cinco minutos para aplicar. Todas as enfermeiras sempre solicitas e com um sorriso no rosto, mesmo com tantos pacientes a serem atendidos. Tenho que destacar ainda o meu melhor remédio nestes dois dias de quimio. Minha esposa, mulher guerreira e de um caráter incomparável. Sempre ao meu lado e disposta a tudo pela minha melhora. Te amo minha rainha!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D1)

   
    Nada como uma dose de quimioterapia para nos dar enjoo. Primeiramente quero agradecer a todos e a todas pelo enorme carinho e palavras de força nas ligações, no Facebook, por e-mail e pessoalmente. Vocês são demais, pessoas que amo a passo a amar ainda mais e pessoas que estou aprendendo a amar. A vida tem me ensinado muitas coisas nestes últimos cinco meses, mas a principal delas foi descobrir a verdadeira essência do ser humano, o carinho. Pode parecer pouco, no entanto é o suficiente para me manter de cabeça erguida.

    Vou explicar o meu caso a vocês. Estava trabalhando em Brusque – SC na construção de um projeto Minha Casa Minha Vida para uma empresa de engenharia civil de Blumenau. Estava bem instalado na cidade do marreco recheado e de grandes amigos. Numa quinta-feira de março, minha esposa que estava morando em Joinville saiu de férias e foi para Brusque ficar comigo. Neste dia, conversa vai conversa vem, decidimos pesquisar na internet o porquê do inchaço no meu testículo esquerdo. Cheque-mate, o Dr. Google matou a charada: Tumor.

     Resolvemos então correr para o hospital em Brusque mesmo, para ver o que estava acontecendo e o que não queríamos se confirmou. Na terça-feira seguinte já estava na mesa de cirurgia para a retirada completa do testículo esquerdo onde se encontrava o tumor. A partir daí me recuperei da cirurgia e fui para casa. Procuramos um oncologista que nos deu todo suporte e explicações necessárias sobre o caso. Com as seguidas baixas nos índices tumorais foi diagnosticado que a principio não necessitaria de quimioterapia, mas de um acompanhamento mensal de exames de sangue e trimestral de tomografia para o controle dos índices deveria ser feito. Contudo, no último exame que realizei em Brasília onde estava a trabalho e ficaria por aproximadamente quatro meses, aconteceu as alterações indesejadas. Então voltei a Joinville para fazer este tratamento quimioterápico.

     Hoje foi a primeira sessão. Cheguei por volta das sete e meia da manhã no setor de oncologia do Hospital São José e logo fui encaminhado aos procedimentos. Primeiro uma dose de soro para hidratar, alguns minutos depois chegou à primeira dose de medicamentos. Duas horas aplicando. Tudo certo. Depois mais uma dose de medicamento, uma hora aplicando. Tudo certo. Mais um pouco de soro e fui liberado por volta do meio dia. Sai e fui para casa da minha sogra almoçar. Tudo certo também. Mas como eu disse anteriormente, nada como uma boa dose de quimioterapia para dar enjoo. O cartão de boa vindas foi dado, vomitei por volta da quatro horas da tarde. Amanhã tem mais. Grande abraço a todos!


segunda-feira, 5 de março de 2012

ÀS VEZES ME FALTA



Não é novidade pra ninguém o quanto é bom passar algumas vezes por ele. Sei também a enorme falta nosmomentos de aperto. Pouco é muito, muito é pouco. A necessidade é constante, se
você esquecer, as coisas podem se complicar, ou não. Tudo vai depender dele.
Isso quando as coisas vão muito bem, obrigado.
O tempo realmente é um bicho de algumas cabeças, sete talvez seja pouco. Querendo
ou não, estamos sempre conectados a este ser imaginário. Porque mesmo estando
grudados a ele, nunca o enxergamos? Qual é sua visível finalidade em nossas
vidas? Parece organizado demais, preciso demais. Matemática? Pode ser. Mas não
é o único órgão deste corpo invisível.

A vida corre o tempo todo atrás de motivos, por simples justificativas
desnecessárias. O ruído é auto e absurdamente negativo, sempre. Mas se existem
duas coisas nessa vida corrida são pedir e reclamar. Como é bom reclamar de
tudo e de todos. Pedir então é a melhor das justificativas desnecessárias. "Mas
eu pedi pra ele!" Exclama o bom moço. "Isso não é problema meu!" Exclama novamente
o bom moço.

Cada sonho tem o seu valor, sua recompensa. Parece frescura demais, mas é só isso.
Alguns querem fazer uma mulher ou um homem feliz. Outros querem a carreira tão
sonhada pela mãe e apreciada pela namorada filha do amigo da sua irmã mais
velha por parte de pai. Tem aqueles adoradores do clube do eu me amo. Silicone
é coisa do passado, a moda agora é ser autentico.

Bem vindo à estação da incerteza, do olhar da manhã sobre as pessoas no caminho. O
tempo está ai. Ininterrupto, corrupto, aberto a felicidade e incapaz de parar.
Nunca aconteceu de o tempo parar. Mesmo quando dormimos o tempo já passou.
Coisa boa de viver é viver. Ainda mais se for com o tempo a nosso favor.
Preciso ir, ando meio sem tempo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"BAGUNÇAVILLE"




Talvez esta seja a melhor definição para a Joinville que hoje resido. Uma bagunça generalizada. Ninguém se entende. O executivo e o judiciário parecem cão e gato. O executivo em especial parece uma barata tonta. O judiciário jogando o veneno e o executivo tentando se proteger de qualquer forma. Ai eu pergunto. E a população nesta história toda?

Particularmente sinto-me órfão do governo municipal. Nada é feito diante de tantas denúncias do esquecimento público. Poderia sim, citar diversas “promessas” feitas pelo atual governo municipal nas últimas eleições, mas não farei isso por um único motivo. Iria cometer o mesmo erro do prefeito. Apenas inflar o meu ego com informações desnecessárias. Pois é isso que o nosso governo está fazendo. Se preocupando apenas com a sua imagem diante da população acuada pela falta de competência governamental.

Saneamento básico, segurança, vias asfaltadas, transporte público mais barato, atendimento que valoriza o cidadão, prestação de contas, saúde de qualidade, escola para todos e moradia é obrigação de quem governa fornecer. Obrigação e não um favor. Pois é assim que todos nossos governantes nos atendem. Isso quando nos atendem. Jogam em nossas caras nas campanhas eleitorais que fizeram isso ou aquilo. Então volto a perguntar. E a população nesta história?


A discussão criada pela secretária de comunicação de Joinville revela mais uma falha no sistema executivo da cidade. No jornal A Notícia de domingo, dia 04 de setembro, ela diz que escreveu seu artigo intitulado “Nossaville” - publicado como réplica ao texto “Buracoville” - no dia 30 de agosto em defesa do governo municipal.


Desculpe-me secretária, mas tapar os olhos para o estado indigno da cidade é confessar a falta de informação da secretaria de comunicação. Talvez a secretária deve-se mudar um pouco a sua rotina e em dias de chuva, olhar pela janela do seu gabinete. Ou melhor, me fazer uma visita lá em casa. Fazem mais de três meses que não tenho iluminação na rua e quando chega à noite é uma escuridão. Apenas os gatos do vizinho se arriscam a sair.


Buracoville, Nossaville, Bagunçaville, ou seja lá qual for o codinome. Joinville acima de tudo merece respeito. Merece ser ajudada por todos aqueles que ali residem. Merece iniciativa da opinião pública diante de tantos fatos mal esclarecidos. Joinville deveria ser lembrada por seus habitantes como uma cidade próspera e de oportunidades, como assim é. Contudo, vejo apenas a inquietude da população misturada com a ineficiência do atual governo. E aproveitando a oportunidade vou sugerir mais um nome. “Esperançaville”, de que um dia isso irá mudar.



segunda-feira, 11 de abril de 2011



Dois hipopótamos conversam tranquilamente numa bela lagoa ao sul de Massachusetts, sobre as regalias dos Deputados Federais e Senadores da Brasilândia, pequeno país ao norte do estreito de Muita Cana, localizado no centro nordeste do arquipélago de Cafeína. Conjunto de ilhas habitado principalmente por parasitas, que por sua vez procriam a cada quatro anos com a ajuda de milhares de centenas de indivíduos primariamente identificados como parte do grupo dos moluscos.

- Ei seu hipopótamo imbecil. Cadê aquele elefante burro que estava por aqui hoje de manhã?

- Não sei. Hipopótamo mal educado.

- Claro que sabe, porque não me diz?

- Dizer o quê? - Onde está o elefante!

- Deve... Sei lá...! Não me enche!

- Então me responde uma coisa. Quer trabalhar pra mim?

- Tá maluco...! Sou assessor do Rei Leão. Não troco minhas regalias por nada.

- É um imbecil mesmo. Não quer nem ao menos ouvir a proposta?

- Fala...!

- Duplico seu salário, forneço carro zero, Iphone e Ipad lançamento, apartamento avaliado e 2,5 milhões e algumas regalias.

- Regalias é bom...! Quais?

- Camarote extra-power-mega-vip em todos os carnavais de Salvador até 2025, uma Ferrari, o modelo será de sua escolha. Dois seguranças para àquelas horas em que você precisar, como por exemplo: dirigir bêbado e matar vítimas inocentes; desviar dinheiro e aparecer no jornal; dar declarações preconceituosas; dançar no horário de – possível – trabalho; ou até mesmo quando for necessário poderá usá-los para garantir a execução sumária de seus opositores. O resto virá conforme sua fidelidade ao partido.

- Interessante, qual é o seu partido?

- PSS.

- PSS?

- Partido dos Sangue Sugas, foi com esses animaizinhos espertos que entrei para a política da Brasilândia.

- Fechado, quando eu começo?

- Assim que o nosso mestre liberar.

- E quem é o mestre?

- A Lula.

- Mas ouvir dizer que a Lula é muito brava.

- É nada, a cara daquilo é assim mesmo...!

- Hummm, que bom porque pra mim cara feia é igual ao PAC.

- Como assim?

- Sem nenhuma simetria.

- Continuo sem entender.

- Tudo bem, esse é o seu trabalho.

- Trabalho? Eu sou assessor do mestre.



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"A ANTROPÓLOGA"


Lançamento 29 de abril nos cinemas dos Shoppings Iquatemi, Floripa e Itaguaçu.



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mergulhei de Cabeça




Mesmo surpresos com a notícia, continuamos a caminhada. Muito ainda faltava andar até nosso destino. Lama, pouca visibilidade e o desgaste faziam de nós ainda mais preocupados com a demora. Mas prosseguimos sem esboçar qualquer reação de parar. Apenas a garrafa de água saia do cinto vez ou outra para nos hidratar. A sede era tão grande quanto a expectativa da chegada. Não imaginavamos o que iriamos encontrar por lá.
Após um bom tempo andando em mata fechada, um belo descampado surge a nossa frente. Nossos olhos se espantaram com tanta imensidão. Um fim sem fim. Montanhas e vales cobriam nossa anciedade de beleza. O ponto final parecia próximo. Tinhamos de completar a missão. Apertamos o passo. Cada vez mais, até começarmos a correr. Mas logo voltamos as nossas passadas firmes e fortes. Assim teriamos mais disposição para enfrentar o que nos aguardava.

De repente um barulho imenso nos paralisa por alguns instantes. Qualquer movimento parecia ser como a culpa pela morte. O estrondo seguia do norte para o sul como uma avalanche de raiva. Não poderiamos nos entregar ali. O primeiro novo passo foi dado. Logo avistamos a Trilha do Retorno. Conhecida assim, porque antigos moradores da região sempre retornavam de suas expedições ao ouvirem o assustador barulho que surgia entre as árvores.

Entramos na trilha e seguimos corajosos rumo ao fim de nosso encargo. O estrondo aumentava e nossa coragem diminuía. Seguimos firmes apesar da angústia de não saber o que nos esperava. Alguns metros depois podiamos sentir o frescor da brisa que molhava as plantas a nossa volta. Mais alguns passos e por fim avistamos a dona de toda aquela publicidade. A Cachoeira do Aisó. Linda e formosa. Sua postura nos deixou embasbacados. Pasmos. Nossa missão estava prestes a ser cumprida. As pedras em volta do imenso tanque que se formava aos pés da soberana queda d´água era nosso único refúgio seguro naquele instante. Passar daquele ponto nos tornaria heróis.

Sem falarmos uma palavra sentamos cada um em seu ponto de melhor visualização da imensa queda. Todos pensando qual seria a melhor forma de completar a tão desejada missão. Sem pensar muito começo a subir as pedras pelo lado direito da cachoeira. Chego ao ponto que havia almejado. Percebo ainda mais a grandeza de Aiçó. Alguns pássaros me observam nos topos das árvores. Vou até a ponta da pedra de minha escolha. Vejo todos lá embaixo me olhando curiosos para saber o que eu iria fazer. Levanto meus braços. Junto minhas pernas e respito fundo. O salto era inevitável. Pulei.

Aqueles quatro segundos até o mergulho foram eternos. Senti o coração de cada um ali perto bater mais forte. Senti o mergulho como se estive entrando em outro universo. Mergulhei um pouco e subi de volta para a superfície. Todas as minhas dores da difícil caminhada tinham desaparecido. Estava anestesiado. Quando começo a entender onde estou, logo ouço outro mergulho. Mais um e mais outro. Todos haviam pulado para completar suas missões.
Ao sair da água, ainda sem falarmos uma palavra se quer, percebemos o quanto estava frio e nossas roupas enxarcadas. O frio era imenso. Tremiamos demais. Bocas, pernas, braços, tudo. Realmente, a notícia de que as águas eram extramente geladas era verdade e que não levar algo para se secar foi uma insanidade. As dores rapidamente voltaram a nos aborrecer. Tinhamos apenas uma opção para que toda essa aflição parasse. Saltar novamente nas águas da formosa Aisó.








quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Um Dia Após Outro Dia


Até o momento em que sai de casa para trabalhar, tudo parecia comum, nada alterava o meu caminho rotineiro. Os cachorros me aguardavam na porta euforicos por alguma coisa que eu pudesse dar a eles. Os pássaros voavam frenénicos em busca de qualquer coisa. A grama alta molhada como sempre. A senhora fazendo exercício na praça em frente. Como eu disse. Nada de novo. Apenas uma coisa me chamou atenção. O perfume da minha esposa quando ela entrou no carro. Muito Bom!


Dei a partida, engatei a marcha ré, gritei com um dos cachorros para ele não sair e então eu sai após o portão escancarar-se. Esperei ele fechar e fui rumo ao conhecido. Direita, direita, lombada, esquerda, lombada, lombada, direita, esquerda, direita, esquerda e enfim o objetivo. Beijinho clássico de despedida e minha mulher desembarca para mais um dia de trabalho. Dou meia volta e retorno para casa. Direita, esquerda, direita, esquerda, lombada, lombada, direita, lombada, esquerda, esquerda, enfim chego. Estaciono o carro em frente do portão e lembro-me que preciso ir até a prefeitura de Joinville resolver o problema do IPTU mais um ano. Pois é, ano passado também acumulei algumas rugas por conta da impressonante incapacidade de gestão pública do nosso governo municipal.


Como que um governo municipal eleito pela maioria do povo de-mo-cra-ti-ca-men-te - como as próprias autoridades gostam de lembrar - trata este povo com tanto desdenho? Como posso eu querer pagar os meus impostos se quem deveria zelar por eles não sabe como arrecadá-lo? Como pode um peixe vivo viver longe de água fria? Quem matou Odete Roitman? Com quantos paus se faz uma canoa? Se o mar fosse rosa borboletas não voariam? Quem souber essas respostas sinta-se supremo. Porque é mais fácil aceitar a vida como ela é, a ter que decifrar tais enigmas. Sim! São enigmas travestidos de perguntas aparentemente simples.


Meu dia presseguiu. Enfim a hora do almoço. Dois frangos empanados com recheio de presunto e queijo, um pouco de arroz, verdura picada (não me entendam mau), um copo de guaraná e muita fome. "O ministério da gula adverte, parar de fumar causa barriga". Estou parecendo um saco sem fundo. Tenho comido até dormindo. Assisto o Globo Esporte e vejo cenas da novela Ronaldinho Gaúcho. Lembro-me da palavra dinheiro, mas logo passa, pois sei que ele quer apenas jogar bola. Mudo de canal e a Record se esbalda com seu conceito de que o fim do mundo está próximo. Assassinatos, violência, prisões e casos medonhos narrados em voz firme pelos apresentadores "formadores de opinião".


O dia está em seu fim. Então passo para buscar minha mulher e retorno para casa. Um banho, depois um café acompanhado de alguns pães com queijo e requeijão. Já sei que tenho comido demais. Ligo novamente a TV e assisto aterrorizado ao caos que se formou na serra carioca. Culpa de quem? Se souber a resposta dessa também, me avise. Contudo, reparo na total falta de estrutura para se atender os feridos num caso como este. Pessoas são atendidas deitadas em lençóis na grama no mínimo úmida. Helicópteros de emissoras são utilizados para salvamento e com um otimismo cego, chamam isso de solidariedade. Eu chamo de precariedade pública.


O Estado está falido fisicamente e moralmente. Não existe se quer um plano de salvamento emergêncial para catastrofes. O porque disso eu sei a resposta. Porque somos um país de incompetência gestora absurda. Porque nossos ex-presidentes a agora nossa atual presidente, transforma um monte de lama em máscara para tirar rugas. Manipula a população tapando o sol com a peneira, mais uma vez. Dando entrevista para divulgar o seu plano emergêncial. "Os moradores atingidos pelas chuvas poderão utilizar o seu FGTS para reconstruir o que perderam". Como diria meus amigos de São Paulo. "Tá me tirando tia!". Prometem liberar milhões para ajudar os moradores desolados. Prometem ajuda, prometem, prometem, apenas prometem.


O fim do dia afinal chegou. Vou me deitar e ler um pouco. Assisto o CSI, o Big Brother levanto para ir ao banheiro escovar os dentes e tirar a água do joelho. Volto para cama, mato alguns pernelongos chatos com a minha raquete assassina e ajeito o travesseiro. Dou um cheiro na galega que já está dormindo e relaxo para acompanhá-la. De repente me vem a cabeça uma frase que vi na traseira de um caminhão um dia desses e achei muito interesssante: "Otimistas são pessimistas mal informados". A partir deste momento não me lembro mais o que aconteceu, naquele lindo dia de janeiro de 2011. Apenas me recordo de acordar ouvindo meus cachoros latindo, pois como já dizia Martin Luther King, "Uma criança, cega de nascença, só sabe de sua cegueira se alguém lhe conta".


sábado, 1 de janeiro de 2011

É Dada a Largada...!


Quem disse pão e circo? Isso não tem nada a ver com pão e circo, tem a ver com desmoralizações. Como dar risada da nossa cara. É isso que nossas autoridades fazem. Riem de nossas caras todos os dias quando acordam. Nosso país é tão cretino, que quem dá pão e circo por aqui somos nós. Damos milhões de pães para esses safados comerem todos os dias e circo quando riem de nossas caras imbecis. O logo da Olimpíada 2016 é mais uma manifestação escrota de nossas autoridades. Salve a corrupção. Para quem acredita que este símbolo traga alguma lembrança boa eu digo. O otimismo quando se está dentro de uma arena cheia de leões serve apenas para lembrar que os leões estão com fome.
Nossa “presidenta” assumiu hoje seu posto de representante da nação brasileira. Nação tosca. Medíocre. Nação burra. Não é pessimismo não. Assim que é. Assim que mais um mandato vai começar. Sem qualquer fiscalização. Sem qualquer critério. Apenas com a aprovação de uma porcentagem cega por um punhado de dinheiro entregue de mão beijada todos os meses a quem não tem e nunca terá uma oportunidade de viver dignamente. Trabalhando e sustentando suas famílias honradamente com o dinheiro fruto de seus afazeres.
Adeus ano velho feliz ano novo. Bom seria se fosse assim. Deveríamos mudar a letra para: Adeus ano velho feliz ano tudo de novo. Tudo igual, nada vai mudar nas três esferas nacionais. O judiciário continuará esmagado pelo executivo que por sua vez permanecerá guiando o legislativo. Pois nunca na história deste país o povo foi tão ludibriado. Nunca um governo foi tão mascarado e oportunista. Não me venha com blá blá blás. Oito anos se passaram e nada aconteceu de grande importância neste Brasil.
A saúde continua horrível. Ah sim, agora você tem plano de saúde. A educação é uma colcha de retalhos. Ah sim, agora você estuda em faculdade particular. A segurança é uma piada. Ah sim, ocuparam o complexo do Alemão. Não tenho a solução dos nossos problemas, mas tenho plena convicção que eles existem e estão todos os dias a nossa frente. Hoje você foi até a padaria e comprou pão? Pois então, o preço do pão aumentou. Você paulista vai pegar táxi? Pois então, o preço do táxi também aumentou. Você joinvilense vai pegar ônibus? Pois então, o preço do ônibus mais uma vez aumentou. Você brasileiro vai querer parcelar algo que queira comprar. Pois então, os juros continuam altos. Tudo bem, hoje ainda é o primeiro dia do ano. Vamos relaxar e gozar. Estou de folga e não quero me incomodar. Se der, na segunda-feira penso nisso. Mas sobre o que eu estava falando?

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ 2011


O ano de 2010 está em seu fim e pouco coloquei em prática meus pensamentos. Melhor dizendo, poucas vezes os materializei. Muitos deles se perderam para sempre, outros consegui escrever numa caderneta que carrego em alguns momentos. Em algumas ocasiões até mesmo escrevi memórias em notas fiscais perdidas no bolso da calça. Fazer o que se a disciplina nunca foi o meu forte.
Falando nisso, em 2011 esta é a minha meta, D-I-S-C-I-P-L-I-N-A. Sem ela muita coisa falta e muita coisa sobra, mas não vou entrar em detalhes. O que quero mesmo é agradecer a todos que compartilharam pensamentos e ideias comigo neste ano tão abstrato. Digo isto por ter sido um ano rasante. Passou como uma manobra aérea. Rápido como um jato da Força Aérea Brasileira.
Apesar de veloz o ano que se acaba certamente nos deixa muitas lembranças boas. Outras nem tanto. Não conquistar o hexa foi difícil, o Haiti nem se fala. Na contramão César Cielo continua a nos dar alegrias. Mostrando ao mundo toda sua dedicação e amor a sua profissão. Já as mulheres continuam a lutarem por direitos iguais com os homens, quando na verdade querem mesmo é derrubar seus príncipes de seus cavalos brancos. Isso mesmo. Mulheres não querem direitos iguais, querem a superioridade.
Assim nossos jovens tratam nossos idosos. Com superioridade tecnológica. Só um aviso. Idosos não nascem idosos. Pois é esta a imagem que vejo de grande parte da nossa juventude. Individualistas e omissos. Reflexo de quê? De porra nenhuma. Apenas uma nova geração de pessoas que nasceram numa mesma década. Ou décadas. Tanto faz. O que não faz é a indiferença dos jovens para com aqueles que os proporcionam todas essas alegorias tecnológicas.
Mas é isso ai amigos e amigas. O orçamento para o próximo ano está sendo votado no circo de Brasília. Ainda com palhaços antigos. Os novos estarão por lá em breve. “Não perdam”. Alguns ajustes neste concorrido orçamento já foram efetuados. Reduziram um tanto da grana dos setores da educação e ciências e tecnologia. Maravilha. Viva 2011. Grande abraço a todos! Um Feliz Natal e que todos os sonhos bons se realizem em 2011.