sábado, 18 de agosto de 2012

Crônicas de um Tumor (D46)



                Chegou fim de semana todos querem diversão. Só alegria nós estamos no verão... Opa, verão? Deve ser alucinação minha, mas hoje o dia estava diferente. Todo mundo nas ruas mesmo com o céu indicando condição de chuva. Muita nuvem e pouca água, nada demais aconteceu. Apenas o Kid Abelha continua fazendo a alegria da rapaziada. Vem amor que a hora é essa! 30 anos de alegria.

                Falando em alucinação eu já tive algumas nesse período de tratamento. No meu último instante de loucura eu tinha assistido ao seriado Law&OrderSVU e confundi a vida real com a ficção. Cheguei a discutir com a Rainha conta ela. Nada sério apenas engraçado. Tudo culpa da medicação como sempre. O que não pode acontecer é eu assistir ao noticiário e pensar que sou um juiz do STF. Posso mudar a Brasil se isso acontecer. Coisas da vida, ou não.

                Quero agradecer aos roteiros turísticos enviados. Florianópolis, Laguna, Gramado, Guarda do Embaú, Apiúna e Brusque. Este com certeza o melhor destino para se fazer boas compras de vestuário e comer um bom marreco recheado. Em Apiúna esportes radicais e comida alemã. Gramado o romantismo esta no ar com muito chocolate. Floripa é pura curtição e Laguna de visuais deslumbrantes nos fornecem frutos do mar de alta qualidade.

                Neste sábado e domingo não terei folga, vou ter que tomar injeções para a imunidade não abaixar e continuar o tratamento sem interrupções, pois o tempo não para e pretendo terminar com isso o quanto antes. Tenho planos para o breve futuro que me aguarda. Muita disposição para fazer cursos e realizar um excelente trabalho com a equipe de Brasília que tem me acolhido de forma impar.

                Minha dica de hoje para uma vida mais interessante li na traseira de um caminhão nas minhas idas e vindas de Piçarras-Joinville-Piçarras e foi inevitável que me identificasse. “Mais vale um ovo hoje do que uma galinha amanhã”. Bom final de semana a todos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Crônicas de um Tumor (D42)



Atelier a Venezia, al fondo la torre della chiesa madonna dell'orto - 2003
                Uma semana se passou sem que eu pudesse publicar uma crônica apenas. Não foi por falta de vontade, simplesmente não consegui tirar nada dessa massa cinzenta e careca. O meu único compartilhamento nesse período foi com a minha inseparável náusea. Parceira! Nos momentos ruins e nos péssimos também. Agora uma coisa ela tem de bom. Vai embora um dia para nunca mais voltar. Se voltar vai ser apenas nas ressacas da vida moderna, após comemorações como a do triunfo pela cura. Em breve.

                 Falando em cura, queria ter contato que na quinta-feira passada cheguei à metade do tratamento. Isso mesmo, uma grande conquista para um mortal que adora a vida e despreza a inércia. Ficar na cama dias e dias não são nada confortáveis. Ainda mais quando se quer tanto levantar para ir ao banheiro, é que nestes períodos de tratamento intenso tenho que tomar bastante água para evitar dificuldades renais. Mais uma vez culpa da medicação. Danada de forte. Só tem um problema para essa tal de medicação. Ela está no meu corpo e neste corpo quem conduz sou eu. Portanto, como já dizia um bom amigo de Brusque. “Deixa comigo que eu sou canhoto”. Grande Sassi.

                Gostaria de pedir algumas sugestões para os amigos e amigas. Quando todo este processo terminar pretendo viajar com a Rainha para algum lugar deste imenso Brasil. Quem tiver boas indicações fique a vontade, sou todo ouvidos. Contudo, duas coisas são importantes neste roteiro. Bom preço e boa comida. Ah! E de preferência que de para ir de carro. Sou apaixonado por um votante. Está bom já exigi de demais! Agradeço desde já atenção de todos. 

                Mudando um pouco de assunto. Ontem folheando o jornal A Notícia tive o prazer de ler uma carta aberta do querido amigo Juarez Machado para os candidatos a Prefeitura de Joinville. Entretanto, tenho certeza que esta carta aberta é de serventia a todos os candidatos e candidatas dos 5.565 municípios deste país. Segue abaixo um dos trechos desta carta:

“Sei que os tempos mudaram e não mais se administra uma cidade como outrora. O poder do prefeito não tem mais alguma autonomia. Não é mais ´personagem´. Agora ele tem que dividir a mesa de trabalho com outros filhos de outros casamentos. Tem que seguir à risca as leis da bíblia do partido. Tem que rezar os projetos de suas seitas, igrejas ou bordeis patrocinadores. Portanto, caros senhores candidatos, não prometam nada , nada mesmo, que não possam realizar. O povo – entre ele, eu – ainda acredita na dignidade e na grandeza do ser humano”. Quem quiser conferir na integra segue o link: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3851180.xml&template=4187.dwt&edition=20194&section=1186      

Para encerrar quero comunicar mais uma dica para uma vida mais interessante. Use o comando de seta que está localizado na alavanca ao lado esquerdo do votante do veículo que você estiver dirigindo. Tenho certeza, esta simples atitude teria evitado pelo menos dois acidentes que presenciei só esta semana. Mas, caso você insista em não seguir esta dica, vou dar mais uma de brinde. Após ter ocupado o mesmo espaço que outro veículo e fechar o transito esperando o seguro chegar, realize um simples gesto. Acione o pisca alerta. Explico: “O pisca alerta”.  



                 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Crônicas de um Tumor (D35)



Sentado no leito do setor de oncologia do Hospital São José nesta terça-feira 07 de agosto de 2012, minha vida continua a mudar e o meu humor também. Ontem comecei a segunda sessão de aplicação da quimioterapia. Estarei por aqui durante toda a semana, quatro horas por dia. Eu, a Rainha e os companheiros e companheiras de oncologia. Pessoas lindas, das mais diferentes classes sociais, credos, cores e principalmente maneiras de enxergar a doença.

                 No dia de ontem o tratamento teve uma motivação a mais graças a um paulista de braços e mente forte. Arthur Rezende ganhou sua merecida medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres. Mostrando a muitos de nossos atletas como se deve competir com garra, talento e acima de tudo força, mas não é aquela força que o deixa pendurado naquelas argolas, é a força de chegar até lá e competir, mesmo que talvez a medalha não venha. Exemplos negativos como o de Fabiana Murer devem ser mostrados em centros de treinamento como a fórmula do fracasso, da decepção de um povo e tenho certeza que os atletas que se dispõem a treinar horas por um objetivo sabem do que estou falando.

                Infelizmente não somos um país de patriotas que canta o hino nacional e pendura a bandeira na frente de casa. Contudo, somos um país de guerreiros que levanta todas as manhãs em busca de um objetivo. Na busca por um país melhor, principalmente mais justo e menos violento. Somos brasileiros e não desistimos nunca. Claro que temos nossas exceções. Principalmente na política. Alguma coisa me diz que a maioria de nossos representantes eleitos democraticamente desistiu do povo, desistiram de fazer o bem. E isso quem está dizendo é minha amiga náusea. Ela voltou para minha alegria.

                Comparado à primeira sessão do tratamento estou melhor, na verdade aprendi a lidar com os vômitos, cheiros e dores de cabeça decorrentes da medicação. Continua com uma boa alimentação e repouso sempre que posso, pois as noites tem sido longas. Culpa do mal estar, nenhuma posição serve. Outra coisa que incomoda é o gosto dos remédios que fica na garganta. Também por isso bebo bastante água a fim de eliminar um pouco da medição que está no corpo. Banheiro direto.

                Quero dedicar este texto a uma grande pessoa e principalmente músico. Celso Blues Boy (05/01/1956 – 06/08/2012). Embalou inúmeros ouvidos arrebatados com a sua verdade com uma guitarra nas mãos. Quem quiser saber mais sobre Celso Blues Boy é por aqui http://www.celsobluesboy.com.br/ , excelente. Quem ouviu, o viu quem não o viu, não ouviu. Desce uma gelada para ver se a náusea passa. Um brinde a Celso Blues Boy, grande garoto.                            

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Crônicas de um Tumor (D30)


                Hoje faz um mês que comecei o tratamento de quimioterapia. Como havia dito anteriormente fiz uma aplicação de medicamento nesta terça-feira passada por cerca de uma hora e meia. Fiquei um pouco enjoado e com náusea. A cabeça também doeu um pouco e o corpo parece mais pesado. Às vezes o ingênuo ato de ir beber um copo com água parece tão difícil quanto pregar um quadro na parede.

                  Neste dia 02 de agosto consegui plantar boas sementes para colher em um futuro próximo. Aprendi que descobrir é muito mais prazeroso do que perguntar. Apesar de que para a descoberta algumas perguntas são essenciais. Não vou fazer nenhuma porque esqueci o questionário, mas pelo que me lembro, cada resposta certa me daria o direito de seguir em frente. Portanto, só tenho a pensar que tudo vai dar certo.

                Na próxima semana começa mais uma etapa de cinco dias seguidos de aplicação. É engraçado saber o que irei sentir nestes dias tão lentos. Saber o futuro nem sempre parece atraente, principalmente para seguir um tratamento de cura de um tumor. Enquanto isso políticos e políticas debatem sobre o tudo sem dizer nada. Será que já estou sentindo algum sintoma da medicação? Vergonha quem sabe.

                Para uma vida mais interessante seria interessante descobrir com quantos paus se faz uma canoa ou qual a verdadeira identidade do Patati e do Patata. De qualquer modo a minha dica de hoje para uma vida - realmente – mais interessante seria a seguinte. "Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta." (Emmanuel, psicografado por Chico Xavier)               

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D28)



                “Dor compartilhada”. Eu curti, muitos familiares e amigos também. Para quem não sabe, este é o título de uma reportagem que saiu nos jornais A Notícia de Joinville e Diário Catarinense de Floripa sobre o blog “Sente-se Por Favor” e as “Crônicas de um Tumor”. Estou muito feliz e orgulhoso com a matéria e o destaque que foi dado. Recebi inúmeras mensagens de satisfação e reconhecimento de todas as partes do país. Pessoas que já passaram, estão passando ou tem parentes próximos com a mesma dificuldade do tratamento quimioterapico.

                O “Sente-se Por favor” tem me dado discernimento para seguir em frente com o tratamento da melhor forma possível. Tenho me aventurado a utilizar este espaço virtual para fazer desta parte da minha vida um elo entre eu e o mundo, pois em muitos momentos tenho que ficar de repouso e sem contato com pessoas. Algo que adoro, pessoas. Gosto de ver gente, observar, repartir, conversar... De preferência tomando uma cerveja bem gelada. Que saudade da loira.

                Neste final de semana recebi a visita de pessoas muito especiais. Joana D`arc, Reinaldo, Diogo e Sú. Grande família Rodrigues Geromel, vocês são demais. Quem também apareceu foram os irmãos Santin, amigos de infância, Juneca (Walter) e Xaveco (Alexandre) este último acompanhado pela esposa Rafaela que está grávida do Cauã. Um futuro torcedor do São Paulo, certo Xaveco?    

                Hoje faço mais um hemograma para saber como está minha imunidade e se tudo estiver certo, terei uma pequena aplicação amanhã e na próxima semana mais um ciclo de cinco dias seguidos de medicação. Este é casca grossa. Mas com o carinho e apoio que tenho recebido de todos os lados, tenho certeza será mais simples esta sessão. A minha dica de hoje para uma vida mais interessante é tão simples quanto à beleza de Marilyn Monroe. Dica: “Se você quer uma bela enfermeira, tem que ser paciente”. Abaixo segue meu e-mail para contatos e os links das matérias.

 






sexta-feira, 27 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D25)

CONTEÚDO


                Antes de qualquer coisa, preciso fazer uma retratação. Na última postagem escrevi que faria uma pequena aplicação de aproximadamente uma hora na terça-feira (24). Contudo, não fiz. Minha imunidade continua abaixo do esperado para fazer esta medicação. Mais uma semana de espera, fazer o que se o tempo não passa. Nada que atente para maiores apreensões. Mas todo cuidado é pouco. Tenho ficado em casa para evitar o frio e a chuva que está aqui no norte do estado de Santa Catarina.

                Como sempre muita coisa aconteceu, principalmente nesses dois últimos dias. Até a Angela Merkel foi elogiada. “Beleza econômica da Ibope e resolve a crise financeira na Europa”. Boa manchete. E a mulher do romântico Cachoeira? Alguém viu? Claro, eles vão se casar. O que dizer das Olimpíadas. Sempre a expectativa de um excelente espetáculo. Ainda mais em Londres, chuvosa e marrom deixa os arcos ainda mais destacados. Seria interessante estar por lá. Tem as Eleições 2012 acontecendo, acompanhe a do seu município.  

                  Só fiquei triste com o fechamento do Playcenter em São Paulo. Passei bons momentos da minha infância e juventude gritando naqueles brinquedos e enfrentando filas de horas comendo fandangos por - em média – um minuto de adrenalina. Barca Viking (isto mesmo, Barca), Noites do Terror, Casa Maluca, Teleférico, Wave Swinger, Skycoaster, Splash, Polvo, Magic Motion e tantos outros. Lembro-me de um brinquedo que era com dois em cada cabine e ele girava tão rápido que não conseguíamos mexer as pernas, os braços e o pescoço. Era diversão legítima.

                Diante dessas lembranças me obrigo a dizer que não devemos levar a vida tão a sério. Tudo isso sem perder a responsabilidade e o profissionalismo. Prioridade tem se tornado palavra chave no meu cotidiano. Faço o que tem de ser feito para que aquela prioridade se resolva da melhor maneira possível. Sempre respeitando os interesses de cada um. Por isso minha dica para uma vida mais interessante de hoje é tão simples quanto o trânsito paulistano. “Cada macaco no seu galho, pois dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D21)


O Brasil não pode continuar a ser o país da impunidade. Acabei de ouvir isso do Boris, boa noite! Acho que a sinusite atacou e a coriza já está incomodando. Logo passa pensa eu. A imunidade já está melhor e pronta para mais uma aplicação nesta terça-feira. Duas horas de meditação e observação. Ali sentado da tempo de fazer muita coisa. Eu costumo dormir. Brincadeira vou ao sanitário tantas vezes na quimioterapia, que até o fim do tratamento arrisco saber quantos azulejos tem no banheiro.
 Hoje decidi publicar um texto do jornalista e escritor Ivan Lessa (1935–2012) para homenageá-lo. Esta foi à última crônica escrita pelo autor. Um prazer.


  “Orlando Porto. Taí um nome como outro qualquer. Podia ser corretor de imóveis, deputado, ministro, farmacêutico. Mas não é. Trata-se de um anagrama de um escritor francês - e ator e ilustrador bom e autor e figurinha difícil francesa e aquilo que se poderia chamar de "frasista". Feio como um demônio, no meio da década de 50 cansei de dar com ele dando comigo lá pelo Boulevard St. Germain, cheretando o Flore, o Lipp, fazia uma cara que quem ia dizer algo importante e logo sumia na companhia do Jean-Pierre Léaud, aquele maluquinho dos filmes autobiográficos do Truffaut.
Dupla estranha. Os desenhos do -esse seu nome, artístico ou de batismo, Roland Topor- eram bacaninhas. Mas sempre foi Orlando Porto para mim. Fez cinema também. O Inquilino do Polanski, o Reinfeld de Nosferatu, do Werner Herzog. Até que bateu o que ocultava seus pés: umas botas estranhas como ele.
De vez em quando, numa revista esotérica, dou com ele. Ei-lo numa em inglês com "100 boas frases para eu matar agorinha mesmo". Se chegou ao fim, e chegou, foi pelo cachê. Meros galicismos literários.
E aí trago à cena, mais uma vez, porque cismei, mestre Millôr Fernandes. Esse era profissional. Nada a ver com "frasista". Trabalhava com a enxada dura da língua. Nunca para dar a cara no Flore, principalmente com Topor e Léaud.
Reli umas 100 frases do Orlando, ou Topor, e não resisti à tentação de, em algumas delas dar-lhes uma ginga por cima e outra por baixo, à maneira do frescobol querido do mestre, só para exercitar os músculos muito fora de forma.

 Cem razões: Faço por bem menos, mas mais Copacabana e Leblon. Algumas raquetadas minhas em homenagem ao mestre cuja falta continuo sentindo:

- Melhor maneira de verificar, antes, se já não estou morto.
- Mas não se mata cavalos e malfeitores?
- Pelo menos eu driblaria o câncer.
- Milênio algum jamais me assustará.
- Apanhei-te horóscopo! Pura enganação!
- Levo comigo a reputação de meu terapeuta.
- Pronto, agora não voto mais mesmo! Chegou!
 - Aí está: uma cura definitiva para a calvície.
 - Enfim cavaleiro do reino de sei lá o quê.
 - A vida está pelos olhos da cara. Pra morte eles fazem um precinho especial, combinado?
 - Enfim, ano bissexto nunca mais. Esses ficam para o Jaguar. O resto pro Ziraldo.
 - Ao menos é uma boca de menos a sustentar. - Só quero ver quanta gente vai sincera no meu funeral.
 - Pronto! Inaugurei estilo novo: Arte Morta.
- Sabe que minha vida não daria um filme. O livro eu já escrevi. Deixem o desgraçado em paz, peço-lhes.
 - Custou, mas estou acima de qualquer lei que vocês bolarem aí.
- Levou tempo, mas cortei enfim meu cordão umbilical.
- Roncar, nunca mais. Nem eu nem ninguém ao meu lado.
- Que desperdício nunca ter fumado em minha vida!
- Consegui preservar o mistério sempre giarando em meu torno.
- Maioria silenciosa? Essa agora é comigo.
- Na verdade, nunca me senti à vontade nessa posição incômoda de cidadão do mundo.
 - Ei, juventude, pode vir que pelo menos uma vaga esrá aberta.
- Emagrecer é isso aqui.
- Agora é conferir se, do outro lado, sobraram tantas virgens assim.


E assim, cada vez que um "frasista" passar por perto de mim, leve uma nossa: minha e de Millôr. Dois contra um a gente ganha mole.

domingo, 22 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D20)

Fascinante!
                              
                Muito bem, final semana para acalmar os ânimos. Dar aquela relaxada regada a muita comida, filmes e seriados. Umas boas risadas também estavam inclusas no pacote. A velocidade já faz parte do meu dia a dia. Acompanhei mais uma vergonha do tricolor Massa na F1, o Nelsinho Piquet ser prejudicado na Truck Series e os loucos da Nascar. Adrenalina o tempo inteiro. Bom seria poder eliminar um tumor com a mesma velocidade desses carros maravilhosos.
                Tenho passado bem apesar da imunidade baixa. O apetite diminuiu um pouco, mas continuo comendo bem. A disposição também tem aumentado. Agora estou conseguindo organizar a vida e o trabalho. Esta semana faço apenas um exame – Hemograma - na segunda-feira e se estiver tudo certo, na terça-feira completo uma aplicação de medicamento de cerca de uma hora. Bem tranquilo. Ai na próxima semana recebo mais uma sessão de cinco dias direto com quatro horas de aplicação diária. Essa é brava!
                A vida que segue tem me dado muitas oportunidades. Acredito que em breve terei novidades sobre o Blog. Como já disse anteriormente, tenho recebido muitos acessos importantes e principalmente o reconhecimento. Por isso continuarei fazendo deste espaço, um lugar público. Onde as portas estarão sempre abertas para receber o bem e inevitavelmente as críticas, sempre recebidas com entusiasmo de um eterno aprendiz. Pois como já dizia Aristóteles, a quem já representei uma vez vergonhosamente, “A primeira qualidade do estilo é a clareza”.
                Minha dica de hoje para uma vida mais interessante é tão fácil quanto andar na corda bamba, ou melhor, tão fácil quanto cozinhar dois ovos. Eu disse dois para os engraçadinhos de plantão. Mas vamos à dica. Abrace, beije, sorria e, sobretudo diga sempre a quem se ama: “Me traga o papel higiênico”. Na hora de aperto somente ela poderá te salvar.       
                  

sábado, 21 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D18)

Genial!

               
                Muitas coisas estão acontecendo nesses últimos meses desde que fui diagnosticado com o tumor. De Brusque voltei para casa em Joinville, de Joinville fui para Brasília, de Brasília voltei para casa recentemente em Piçarras. Bastante para quem retirou um testículo, acompanhou o regresso do câncer, depois o progresso e atualmente a quimioterapia. Complexo? É um pouco.  Napoleão esclarece. “Há ladrões que não se castigam, mas que nos roubam o mais precioso: o tempo”.  

                 O ladrão que me assaltou tem nome, sobrenome, uma ficha extensa e apesar de levar parte do meu tempo, este marginal esqueceu algo ainda mais valioso. A paciência. Esse se ele quiser eu até dou um pouco para experimentar. E pelo que eu conheço deste malandro, logo, logo ele se entrega. Só não sei se para o próprio tempo que roubou ou para a paciência que perdeu de levar. 

                Falando em paciência. Recebi da minha irmã um texto muito interessante sobre este tema e um dos trechos descrevia o seguinte: “Considere quantas coisas difíceis seriam muito menos difíceis com apenas um pouco de paciência. Obviamente que é importante ter um senso de urgência, porém, também é igualmente importante exercer equilíbrio advindo de uma disciplinada paciência” (Richard Avedon). Tenha paciência, falava minha mãe quando eu aprontava alguma travessura. Coisas da vida. Ou não.

                Tempo e paciência. Um não para, o outro sempre arruma um jeito de esperar um pouco mais. Um segue uma rotina diária, o outro observa para ver o que vai acontecer. Um te avisa à hora certa de começar, o outro te avisa quando parar. Um gira em torno Sol, o outro gosta de apreciar a Lua. A única coisa que os aproxima é quando o tempo pede um pouco mais de paciência. Perda de tempo. Portanto, a dica de hoje para uma vida mais interessante é arrumar tempo para não perder a paciência.


               
                  

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Crônicas de um Tumor (D17)



O dia foi produtivo. Consegui dar mais atenção as coisas importantes da vida de qualquer mortal. Trabalho e Família. Organizei alguns livros, documentos e fotos. Foi bom rever momentos tão presentes na lembrança. Não posso jamais reclamar da minha infância. Época de grandes traquinagens e folias. Guerras de mamona com o estilingue eram ferozes. Aventura no terrenão. Quem levou tiro de chumbinho dos guardinha sabe como era. Futebol na quadra de areia do Dom Bosco muitas vezes era disputado com a garra de uma luta medieval.  
                Hoje fez um belo dia aqui em Piçarras, no litoral catarinense. O frio continua apesar do céu azul. À noite a temperatura cai bastante. A careca só aguenta de toca. Já tenho três e vou ganhar um do São Paulo para ajudar no tratamento. Apesar de que esse tricolor atual está pior que quimioterapia. É de cair os cabelos! Espero que o Ney Franco faça alguma coisa e rápido. Vamos levar o Brasileirão. Coisas da vida. Ou não.
                Tenho me sentido muito bem. Com disposição para seguir a caminhada. A alimentação continua melhorando a cada dia. Tenho tomado diariamente o suco da Rainha. Laranja com couve. Simples, gostoso e saudável. Não da para esquecer as carnes que são essenciais para uma boa recuperação. Peixe é excelente no cardápio de qualquer ser humano. Eu como sempre que posso.
                A dica de hoje para uma vida mais interessante é tão bucólica quanto descobrir que o ovo vem antes da galinha. Mas a dica é a seguinte: Sempre que tiver a oportunidade de viajar, faça isso. Nem que seja para a cidade vizinha. De preferência a viajar de carro, só tome cuidado com os pedágios. Privatizaram a constituição. Agora temos de pagar par ir e vir.